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Em estado de abandono, Estação Ferroviária de Alegrete é responsabilidade do DNIT 

“Uma  cidade sem preservação de sua história e  memória é uma cidade sem cultura”
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   Mas, parece que nos últimos anos, a Cidade perdeu seu censo crítico e  de valorização de seus bens e patrimônios. O que pode ver é abandono de verdadeiras relíquias de nossa  história recente sem que  ações  concretas sejam efetivamente tomadas pelos Poderes  construídos. Dentre estes  patrimônios centenário  está a Estação Férrea de Alegrete.

A Estação ferroviária de Alegrete foi desvinculada da lista de bens arrendados pela concessionária Rumo. Agora, o imóvel não está sob responsabilidade da empresa, mas sim do DNIT.

Os sinais de destruição e falta de melhorias estruturais são visíveis em  todos os espaços  ainda existentes. Feriado de  Páscoa – 4 de abril de  2021, uma data emblemática para os “cristãos”, a reportagem  do EXPRESSO  MINUANO  - retornou após 3 anos, ao mesmo local junto a Estação Férrea de Alegrete. O objetivo maior  foi conhecer a atual realidade  sobre o local. E, para a história. Agora, com um grupo de  pessoas   preocupados   com a preservação  da Memória Histórica de Alegrete. Em 2018, a  reportagem à época  teve a companhia do líder sindicalista  Paulo Ballejos quando  “a dor, sentimento e luta incansável do líder  sindicalista foi  testemunhada.       Naquela data  2 de abril de 2018, com as  lágrimas no rosto ele fez um  histórico sobre a  Rede  Ferroviária  Federal S/A, do qual orgulha ter representado uma categoria de 10.400 pessoas no Rio Grande do Sul, ainda  na  década dos  anos 90. Hoje, somos  menos de 1,5 mil pessoas representada diz  Ballejos.

Percorrendo toda a área da Estação Férrea o que pode se observar é o matagal tomando conta de todo o recinto ferroviário. Em alguns pontos os trilhos não aparecem mais, devido ao capim que cresce assustadoramente. Três anos depois, os fatos não são diferente.

O prédio pichado, com banheiros degradados, acumula lixo por toda parte. O problema já foi pauta, mas a situação caótica parece está longe de ser resolvido nos dias atuais.

 

O espaço da Estação é de uso e cuidado da Rumo

   A infraestrutura e conservação teria de ser realizada pela empresa. Embora, o espaço seja de propriedade do Departamento de Infraestrutura e Transportes.

Maior operadora ferroviária do País, a Rumo diz que vem realizando um trabalho de revitalização e expansão logística de grande impacto em sua rede, que totaliza mais de 12 mil quilômetros de ferrovia.

Esse processo vem desde a fusão com a ALL, concluída em abril de 2015.  O chamado turnaround está aumentando a segurança para funcionários e comunidades do entorno, criando novos empregos e gerando desenvolvimento para o Brasil, garantindo o escoamento da safra agrícola e colaborando de forma positiva para a balança comercial nacional.

Dos cinco prédios. Um espaço está sendo ocupado e utilizado para as atividades do Centro de Pesquisa e Documentação (CEPAL).

O município já demonstrou interesse e compromisso no uso e ocupação dos bens pertencentes ao complexo da Estação Ferroviária de Alegrete. Neste caso, em novembro de 2017 enviou ofício à  Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, externando o interesse, pois o prédio fica situado dentro da cidade e possui relevante importância histórica e cultural.

   A comunidade alegretense clama pela sua adequada preservação e a necessidade de que se abrigue o acervo cultural do Município.

Segundo a Prefeita Cleni Paz da Silva, em 2017, manifestou o caso (termo de compromisso) se torne favorável ao município, será  feito um convênio com o CEPAL.

Em  de fevereiro de 2018, o IPHAN, enviou correspondência eletrônica, ao gabinete da prefeita, informando que é preciso uma vistoria no local por parte da equipe técnica para determinar se existe o interesse do órgão, no intuito de definir como patrimônio cultural e após enviar para a sede em Brasília para dar o aval ou não.

No entanto, a equipe com sede em Porto Alegre (RS) aguarda autorização por parte da sede para realizar a vistoria, fato que ainda não ocorreu.

   Sujeira e mato por todo lado. O patrimônio está sendo destruído paulatinamente sem o zelo da instituição responsável.

A Prefeitura corre contra o tempo para tentar preservar um dos prédios mais ricos em arquitetura do RS. Uma vistoria pode salvar o que já foi orgulho para Alegrete.

Agora, existe movimento para que o Governo Municipal, através da  Diretoria de  Cultura – que integra a Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, retome este assunto que carece de atenção e prioridade de parte da Pasta. Existem muito problemas na área cultural sim, e argumentos para que medidas mais efetivas sejam formuladas, também. Porém, é preciso inciativas e elaborar Juridicamente os mecanismos para dar uma solução definitiva, e isso  precisa ter competência e capacidade, não só politica de articulação, mas  coragem para fazer a diferença e exigir de quem de direito dar uma solução ao local. A cultura precisa ser preservar e necessita de recursos significativos todos sabem, porém é preciso elaborar os Projetos e trabalhar para assegurar recursos. Sem projetos e vontade política de buscar os meios para  que seja executas as obras estruturais necessárias.

Vamos buscar experiências em outros locais onde houve êxito nestes empreendimentos, disse um dos lideres do Movimento Pró - Memória de Alegrete.

 

 Morte anunciada da Estação Férrea de Alegrete

   A Estação Ferroviária da cidade de Alegrete, construída em 1924,  serviu de cenário durante décadas para viajantes de todo o estado, do  país e até dos países fronteiriços. A  decadência do transporte ferroviário no final dos anos 80 teve como conseqüência a suspensão dos trens para passageiros permitindo que a Estação perdesse sua função e  a cidade ,  o empobrecimento de uma classe social, silenciando sua forte vocação de cidade ferroviária.

Testemunhos de um tempo áureo parecem querer resistir a todos os entraves e assim manter viva a “estação” que ainda é retratada em fotografias, folders,  revistas,  e até  cartões postais antigos resistem , dignificando este local como  um importante  ponto turístico da cidade.

   É necessário manter a  historicidade  desta Estação através da história,  mas também perceber que o lugar serve as  imagens e  imaginários na composição da  atividade turística.

Assim, lugares como a Estação Férrea de Alegrete,  conhecida como  um símbolo local, porque no entorno desta obra, desde sua construção em meados de 1924, desencadeou-se o contexto social da cidade configurando a ela  uma cultura. Qualquer cidadão alegretense que viveu esta história  carrega consigo memórias do passado, assim como outros,  que mesmo não residindo aqui, puderam utilizar-se dos serviços ferroviários.

   Uma construção histórica como a Estação retrata o passado pujante de uma cidade e hoje, mesmo sendo um patrimônio que apresenta um  processo de deterioração, deveria estar inserida em planos de recuperação. Essa história precisa ser olhada como forma de um resgate cultural como representação simbólica  de uma sociedade.

A empresa América Latina Logística S.A. é detentora da concessão da Malha Sul, que cobre o transporte ferroviário entre as antigas superintendências de Curitiba e Porto Alegre que pertenciam à RFFSA. Além de manter o tráfego nas ferrovias, a empresa também é responsável pela manutenção e conservação de estações e áreas do entorno dos trilhos.

 

Histórico

Cie. Auxiliaire des Chemins de Fer au Brésil (1912-1920) 

V. F. Rio Grande do Sul (1920-1975) -RFFSA (1975-1996) 

Município de Alegrete, RS

Linha Porto Alegre-Uruguaiana - km 747,179 (1960) RS-0673 - Altitude: 92 m- Inauguração: 22.11.1907 - Uso atual: estação da Rumo (2016) com trilhos. Data de construção do prédio atual: 1934

 

Histórico da linha

   A E. F. Porto Alegre-Uruguaiana foi aberta como empresa federal em 1883, ligando Santo Amaro (Amarópolis) a Cachoeira (Cachoeira do Sul). Para se ir de Santo Amaro a Porto Alegre utilizava-se a navegação fluvial no rio Jacuí. Em 1898 foi encampada pela Cie. Auxilaire, empresa belga, e em 1905 passou a ser a linha-tronco da VFRGS, ainda administrada pelos belgas. Em 1907, os trilhos atingiram finalmente Uruguaiana, na fronteira com a Argentina. Somente em 1911, a construção da linha Santo Amaro-Barreto-Montenegro possibilitou a ligação da longa linha com a Capital, utilizando-se parte da antiga linha Porto Alegre-Novo Hamburgo. Em 1920, a linha tornou-se estatal novamente. Em 1938, a variante Diretor-Pestana-Barreto diminuiu a linha em 50 km. Durante os seus anos de operação foram construídas algumas variantes, para encurtar tempos e distâncias, eliminando algumas estações de sua linha original. Em 1957 foi encampada pela RFFSA. Em 2 de fevereiro de 1996, deixaram de rodar os trens de passageiros pela linha, que, transportava  até 2015, os trens cargueiros da concessionária ALL desde esse mesmo ano.

 

A Estação de  Alegrete

 A linha entre Uruguaiana e Alegrete estava praticamente pronta em 1897, operada pelo empreiteiro Carlos Alegre. Tendo ele morrido em 1899, a Great Southern Ry., que tinha a concessão da linha Barra do Quaraim-Uruguaiana-Itaqui, passou a operar a linha provisória. Nessa época, não existia a ligação entre Cacequi, ponto final da E. F. Porto Alegre-Uruguaiana, e Alegrete. A linha ia até um ponto chamado Carvoracy, nas vizinhanças da cidade, e em 1902, na parte norte da mesma, já existiria a primitiva estação de Alegrete. A data de 1907 é considerada como a da inauguração da estação. 

A ligação Cacequi-Alegrete somente foi concluída em 1912, quando se mudou a estação de local e se a inaugurou no ponto atual. 

No início dos anos 1930 começou a construção de um prédio novo para a estação, no mesmo local da anterior. Em 1934, ele foi entregue e é o atual. 

Os trens de passageiros da linha Porto Alegre-Uruguaiana pararam em 02/02/1996. A estação chegou a ser utilizada pela ALL e, com a compra desta pela Rumo, passou a ser usada por esta em 2015.

 

Proposição do líder sindicalista

Representando a categoria de Ferroviários de  Alegrete e do RS, Paulo Ballejos, afirma  que esta “morte anunciada  da estação Ferroviária de Alegrete” – pode ganhar vida através da  mobilização de todos os segmentos da comunidade  transformando em importantes espaços para a cultura da Cidade à exemplo de Cacequi, Santiago –RS, Santa Maria e outras cidades  que estes prédios ganharam “vida nova”- acrescentou o líder  sindicalista.

Com experiência de que está desde 1996, na liderança do  “Movimento  em defesa  da Rede Ferroviária  do RS e de  seus trabalhadores”, Ballejos é enfático em afirmar  que  com nova  proposta de  discussão sobre o futuro de Alegrete, através da mobilização dos segmentos organizados do  Município, este assunto  seja pautado com a seriedade e atenção que merece o tema de tanta importância para Cidade e sua história, argumenta Ele.

 

Fontes:

(Fontes: Bernardo Cerentini; Alfredo Rodrigues; Gazeta Mercantil, 1996; AlegreteTudo; Zero Hora, 09/03/1984; IPHAE: Patrimônio Ferroviário do Rio Grande do Sul, 2002; VFRGS: Relatórios anuais, 1920-68; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Guias Levi, 1940-81; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)

 

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